Juiz de Fora viveu os agitos da nona edição do Fashion Days. Nas passarelas, as últimas novidades do mundo fashion. Fama, sucesso, holofotes, luxo, brilho, visibilidade e glamour. Excelente para economia local; indústrias de cosméticos, têxteis, calçados e agências de modelos esquentam o mercado de trabalho. A Manchester Mineira ganha projeção nacional no mundo da moda e mais um evento desfila pelas passarelas da cidade.
Louvável a organização dedicar um dia a palestras, mas surpreende os temas abordados. Está certo que a proposta do evento está longe de ser o debate, e nem esta é a finalidade, mas seria uma boa oportunidade para escutar de quem faz a moda assuntos tão em voga como “anorexia”, “bulimia” e “trabalho infantil nas passarelas”.
No casting de modelos foi possível presenciar mini-celebridades de 12, 13 e 14 anos. No Brasil, a idade mínima para o trabalho do adolescente foi fixada em 14 anos. O trabalho prematuro, além de expor a criança a riscos constantes como os de acidentes, esforços desmedidos e perigosos, ainda prejudica a sua formação escolar e compromete seu desenvolvimento físico e psíquico, por forçá-la a um amadurecimento psicológico prematuro, como demonstram estudos da Organização Mundial da Saúde.
Para chegar até a passarela às crianças são submetidas a testes nas agências. O importante é a altura, medidas do corpo e beleza. São os concursos de modelo que atraem milhares de adolescentes na disputa pelo sonho de ser a próxima Gisele Bündchen. A exuberante modelo brasileira que tem cara de escandinava, corpo de americana e sobrenome alemão. As conseqüências refletem no comportamento da adolescente brasileira. Houve uma mudança no padrão de beleza. Atualmente, está na moda a miscelânea. Fotógrafos e estilistas internacionais querem rostos "globalizados", com menos estereótipos étnicos e mais indícios de mistura racial e de preferência acima dos um e oitenta.
Sabe-se que a pressão exercida nestas crianças ultrapassa o nervosismo na fila no dia dos concursos. Dietas, exercícios, horas dedicada à beleza e cobranças até da família separa do lado bom da infância. Pais que vêm no filho uma possibilidade de realização pessoal e até financeira. As formações culturais, acadêmicas, físicas, psicológicas são comprometidas e a anorexia, a bulimia, anemia e síndromes do pânico são apenas algumas conseqüências de todo o processo.
As mães que tomam remédios para dormir, os pais que tomam remédio para animar o libido sexual, não deixe que seus filhos tomem o mesmo caminho na eterna procura do emagrecimento e do sucesso. Quando falamos em trabalho infantil, lembramos com rapidez das crianças em atividade nos semáforos, das que cortam cana pelo Brasil afora, dos rostinhos sujos das carvoarias, das mãozinhas rachadas das olarias, daquelas envolvidas no tráfico de drogas, das que realizam serviços domésticos, das que carregam caixotes na feira. Mas estas das passarelas são muito belas para quem trabalha. São belas, mas na essência são todas doces crianças. Esta na hora da moda debater o que não pode virar moda.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
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