quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Fichamento Suzana Barbosa

REMEDIAÇÕES E RUPTURAS

O emprego e a utilização dos bancos de dados no jornalismo digital opera remediações nos sistemas de produção, de coleta da informação, no âmbito dos gêneros jornalísticos e da apresentação dos conteúdos. Cabe lembrar uma vez mais: sendo o jornalismo digital uma modalidade que emerge com a internet, ele próprio remediará e será remediado por modalidades anteriores e por tecnologias como a das bases de dados, assim como irá gerar inovações quanto aos modos de fazer jornalismo através das e nas redes digitais, configurando, então, um cenário de dupla via caracterizado por remediações e rupturas.
As perspectivas de mudanças ou rupturas se dão em relação à construção das narrativas, concepção do produto e, claro, uso do arquivo, por exemplo. Além disso, nas próprias rotinas de produção das informações vão ocorrer transformações, bem como na provisão de conteúdos mais originais e variados, pois, ao lado dos recursos disponíveis para construção de narrativas, a incorporação efetiva dos usuários como colaboradores vai assegurar temáticas diferenciadas para serem exploradas. Isso refletirá, conseqüentemente, no modo como as informações são apresentadas, publicadas.
Na argumentação de António Fidalgo (2003), os produtos jornalísticos digitais assentados em bases de dados distinguem-se entre os demais online por não terem edições fixas. Isso ocorre pelo fato de uma edição ser apenas uma configuração possível gerada pela base de dados. Ao fazer esta afirmação, Fidalgo estabelece a distinção entre um jornal online feito apenas em HTML - um produto único ainda que recorra a templates ou modelos – e um que use bases de dados.
É em consonância com o princípio da transcodificação (segundo o qual todos os objetos da nova mídia podem ser traduzidos para outros formatos) citado por Manovich (2001), que ele defende a hipótese dos bancos de dados como forma cultural com estatuto próprio no jornalismo digital. Para o autor, os BD desempenham três funções simultâneas e complementares: a) de formato para a estruturação da informação; b) de suporte para modelos de narrativa multimídia; e c) de memória dos conteúdos publicados, o que o leva a considerar os bancos de dados como um formato no jornalismo digital. Machado argumenta que, de igual modo à narrativa literária ou à cinematográfica e a um plano arquitetônico na Modernidade, o banco de dados emerge como a forma cultural típica para estruturar as informações sobre o mundo/realidade na cultura dos computadores.Nos sub-tópicos que se seguem abordamos, brevemente, algumas das remediações e rupturas quanto à narrativa, aos gêneros e à memória-arquivo. Sabe-se que, em muitos casos, o uso potencial é às vezes maior do que efetivamente se tem visto de implementação.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Parto Humanizado

Juiz de Fora foi palco do Encontro Nacional pela Humanização do Parto e Nascimento. O evento fortaleceu o movimento em defesa da Casa de Parto de Juiz de Fora e trouxe pela primeira vez à cidade o Obstreta francês Michel Odent, que é um dos precursores na defesa do parto humanizado no mundo. A casa do parto teve seu atendimento suspenso para realização de partos no dia 27 de agosto. A UFJF criou uma comissão para transferência da casa para o centro de atenção à saúde (CAS/UFJF), onde de um espaço em uma casa com dois andares passaria a ocupar dois quartos em um mesmo andar de pacientes com doenças transmissíveis. Após defesa da coordenação da Casa de Parto, mostrando que não seria possível manter o atendimento às gestantes nestas condições, a comissão deu parecer favorável para a manutenção da Casa de Parto, que fica na Rua Santo Antônio, 309. A comissão começou, então, a fazer o levantamento do que classificou como irregularidades na Casa de Parto, forçando o seu fechamento para a realização de partos. Todos os esclarecimentos apresentados pela coordenação da Casa de Parto à comissão, como a declaração enviada pelo Conselho Regional de Enfermagem (COREN), de total regularidade da Casa de Parto de Juiz de Fora, não foram consideradas pela comissão. A casa continua não podendo realizar partos, deixando as gestantes que ali se preparam para um parto humanizado totalmente desamparadas.
Funcionando há mais de cinco anos, a Casa de Parto já realizou mais de 700 partos, ela é a terceira inaugurada no país. Em todo o país existem apenas 10 casas. Na Casa de Parto os profissionais se dedicam exclusivamente para oferecer as mulheres uma assistência de qualidade desejável, ao pré- natal, parto e puerperio (fase posterior ao parto).
Em seis anos de funcionamento não houve qualquer óbito, e apenas 0,8% das gestantes precisaram ser encaminhadas a uma maternidade. De acordo com o anuário estatístico feito pela UFJF, 58,16% dos partos realizados em 2005 foram cesarianas. O índice está acima do recomendado pela organização mundial de saúde, que é de 15%. A cesariana consiste em uma incisão no útero para a retirada do bebê e é recomendada em casos de dificuldades no parto normal, quando o bebê está sofrendo ou se a mãe está doente ou tem pressão alta.

De Juiz de Fora para Paris

Músico Juizforano faz sucesso na Europa

Nascido em 1976 em Juiz de Fora MG, começou seus estudos musicais no Rio de Janeiro com Marcelo Fagerlande e Pedro Persone.
Em 1993 partiu para Paris ingressando no Consevatoire National de Région onde concluiu o curso de aperfeiçoamento com menção honrosa.
Em 1996 obteve a primeira colocação no concurso de entrada para o Conservatoire National Superieur de Musique Et Danse de Paris (CNSMDP) nas classes de cravo do professor Cristophe Rousset.
Em junho de 2001, Bruno Procópio obteve os dois primeiros prêmios no CNSM de Paris em cravo e em música de câmara.
A pedido das embaixadas da França na Índia e no Irã organizou e dirigiu uma série de concertos dedicados as cantatas francesas realizados nos maiores teatros destes países. Em setembro de 2002 foi convidado para fazer a abertura da série “Música nas Igrejas” no Rio de Janeiro com a participação do flautista Hugo Reyne e da Gambista Emmanuelle Guigues. Bruno Procópio foi convidado pela Universidade Católica do Chile (2002) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Unirio (2003), para ministrar, Masterclasses de cravo, baixo continuo e música de câmara durante os cursos de inverno. Em julho de 2003 foi convidado pelo Centro Cultural Banco do Brasil para dois concertos dedicado à música barroca francesa, no qual se apresentou junto ao cantor Paulo Mestre e a Gambista Emmanuelle Guigues. Em 2005 realizou uma série de concertos dedicado a J.S. Bach na Venezuela e nos Estados Unidos. Bruno colabora como continuista em diversos grupos e orquestras como na Orchestre Du Palais Royal, Ensemble Turicum, Collegium Orfeus, Ensemble Instrumental La Réjouissance e Le Poeme Harmonique.
Radicado na França há 15 anos, o cravista mineiro Bruno Procópio, recebeu recentemente um dos mais importantes prêmios para disco de música clássica da Europa, o Diapason Dor, da revista francesa Diapason.
Filho de médicos, no início dos anos 90, Bruno Procópio estudava música e, em sua coleção de discos, constavam vários títulos do cravista, maestro, diretor de ópera e professor Christophe Rousset.
Bruno Procópio faz parte de uma nova geração de cravistas merecedora de especial atenção. Sua trajetória e sua formação junto aos professores Pierre Hantai e Christophe Rousset, fazem dele um dos mais interessantes jovens talentos do atual mundo do cravo.

Biofertilizante

Universidade Federal de Viçosa desenvolve o primeiro biofertilizante para eucalipto do mundo

O Brasil tem hoje cerca de 3 milhões e meio de hectares plantados com eucalipto. A produção de mudas atinge uma escala gigantesca, 500 milhões por ano. É um trabalho que exige mão de obra especializada, paciência e mãos delicadas. As mudas são obtidas a partir de estacas retiradas de algumas plantas, chamadas de matrizes. Nesta etapa de produção, muitas raízes não se desenvolvem. O Engenheiro Florestal, Roseevelt Almado, explica que muitas vezes esta estaca não se torna uma muda, porque às vezes, é uma diferença de material genético, ponto de coleta. Alguma situação ambiental climática dentro da casa de vegetação, falta d’água. Então, muitas vezes essa estaca pode não efetivamente virar uma muda.
Há casos em que a raiz nem chega a nascer, formando apenas nódulos na base do caule. De cada 10 mudas, 3 não sobrevivem. Para diminuir o problema, a UFV (Universidade Federal de Viçosa), desenvolveu um fertilizante biológico para eucalipto. Ele é chamado de inoculante e é composto por rizobactérias. O trabalho foi coordenado pelo professor do departamento de Fitopatologia, Acelino Alfenas. Há vários tipos de rizobactérias. Ela vive naturalmente em volta das raízes, numa relação de ajuda mútua com a planta. A bactéria vive de substâncias liberadas pela planta, junto ao sistema radicular e em contrapartida ela libera para a planta hormônios de crescimento, que facilitam o enraizamento, como também libera nutrientes, matéria orgânica e fosfato, que são importantes para o crescimento da planta. O professor Acelino teve a idéia de fazer um inoculante para eucalipto depois de observar o sucesso da utilização em tomateiros.
Foram sete anos de pesquisa até se comprovar a eficiência do inoculante. O produto é o primeiro do Brasil feito com rizobactérias e o primeiro do mundo desenvolvido especificamente para eucalipto. O inoculante aguarda registro do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, o INPI. Por isso, os royalties ainda não estão sendo pagos. Sem registro o produto não pode ser comercializado. Como o inoculante ainda não tem registro, a tecnologia ainda não está disponível para os produtores brasileiros.

Halfeld - A Rua, o Parque

Este é o nome do novo trabalho de Gerson Guedes. O artista plástico nasceu em Juiz de Fora, em 28 de outubro de 1957. A cidade tem abrigado inúmeras exposições do pintor, desde 1979. As mostras se multiplicam pelas cidades mineiras, tendo exposto também nas principais capitais do país e em La Paz,na Bolívia. O patrimônio cultural de Juiz de Fora sempre foi tema nas pinturas de Gerson Guedes. Seus trabalhos expressam simplicidade, através de formações geográficas, e a textura das mesas de fazenda, envelhecidas e rústicas, utilizando tinta acrílica sobre madeira. Seu talento vem sendo ensinado as novas gerações. Gerson é também professor de história das artes, desenho e educação artística. Entre suas exposições, destaca-se “Cartas de Minas”, que faz uma leitura da cultura mineira através de cartas de moradores de pequenas cidades por onde passava o pintor. O monumento do Cristo Redentor, construído no Morro do Imperador, completou 100 anos em 2006 e também foi tema de exposição. A bola da vez é a Halfeld. Tanto a rua como o parque, segundo Gerson, retratar a Halfeld em telas é preservar e difundir seu valor histórico e cultural para os juizforanos.

Futebol

Tupi vai disputar a Série C em 2008

O Ituiutaba, campeão da Taça Minas Gerais, confirmou que vai disputar a Copa do Brasil em 2008, com isso, o Tupi vice-campeão do torneio estadual, ficará com a vaga da série C do campeonato brasileiro, marcada para começar no dia 6 de julho do ano que vem. Com a decisão o Tupi já tem para 2008, o mesmo calendário de 2007: Campeonato Mineiro, Brasileiro Série C e Taça Minas. A vantagem é já estar garantido na terceira divisão, com calendário fechado para segundo semestre e chance de receber um investimento que vise a classificação do time para Série B do Brasileirão.

O que não pode virar moda

Juiz de Fora viveu os agitos da nona edição do Fashion Days. Nas passarelas, as últimas novidades do mundo fashion. Fama, sucesso, holofotes, luxo, brilho, visibilidade e glamour. Excelente para economia local; indústrias de cosméticos, têxteis, calçados e agências de modelos esquentam o mercado de trabalho. A Manchester Mineira ganha projeção nacional no mundo da moda e mais um evento desfila pelas passarelas da cidade.

Louvável a organização dedicar um dia a palestras, mas surpreende os temas abordados. Está certo que a proposta do evento está longe de ser o debate, e nem esta é a finalidade, mas seria uma boa oportunidade para escutar de quem faz a moda assuntos tão em voga como “anorexia”, “bulimia” e “trabalho infantil nas passarelas”.

No casting de modelos foi possível presenciar mini-celebridades de 12, 13 e 14 anos. No Brasil, a idade mínima para o trabalho do adolescente foi fixada em 14 anos. O trabalho prematuro, além de expor a criança a riscos constantes como os de acidentes, esforços desmedidos e perigosos, ainda prejudica a sua formação escolar e compromete seu desenvolvimento físico e psíquico, por forçá-la a um amadurecimento psicológico prematuro, como demonstram estudos da Organização Mundial da Saúde.

Para chegar até a passarela às crianças são submetidas a testes nas agências. O importante é a altura, medidas do corpo e beleza. São os concursos de modelo que atraem milhares de adolescentes na disputa pelo sonho de ser a próxima Gisele Bündchen. A exuberante modelo brasileira que tem cara de escandinava, corpo de americana e sobrenome alemão. As conseqüências refletem no comportamento da adolescente brasileira. Houve uma mudança no padrão de beleza. Atualmente, está na moda a miscelânea. Fotógrafos e estilistas internacionais querem rostos "globalizados", com menos estereótipos étnicos e mais indícios de mistura racial e de preferência acima dos um e oitenta.

Sabe-se que a pressão exercida nestas crianças ultrapassa o nervosismo na fila no dia dos concursos. Dietas, exercícios, horas dedicada à beleza e cobranças até da família separa do lado bom da infância. Pais que vêm no filho uma possibilidade de realização pessoal e até financeira. As formações culturais, acadêmicas, físicas, psicológicas são comprometidas e a anorexia, a bulimia, anemia e síndromes do pânico são apenas algumas conseqüências de todo o processo.
As mães que tomam remédios para dormir, os pais que tomam remédio para animar o libido sexual, não deixe que seus filhos tomem o mesmo caminho na eterna procura do emagrecimento e do sucesso. Quando falamos em trabalho infantil, lembramos com rapidez das crianças em atividade nos semáforos, das que cortam cana pelo Brasil afora, dos rostinhos sujos das carvoarias, das mãozinhas rachadas das olarias, daquelas envolvidas no tráfico de drogas, das que realizam serviços domésticos, das que carregam caixotes na feira. Mas estas das passarelas são muito belas para quem trabalha. São belas, mas na essência são todas doces crianças. Esta na hora da moda debater o que não pode virar moda.